Juros compostos: como R$ 200 por mês viram patrimônio
Entenda os juros compostos: a fórmula com aportes mensais, a diferença entre taxa mensal e anual, um exemplo passo a passo e os erros que inflam o resultado.
Abrir a Calculadora de Juros Compostos e calcular com os seus números Juro composto é o juro que rende sobre o saldo inteiro, inclusive sobre os juros que já entraram. Mês a mês a base de cálculo cresce, então o que rende pouco no começo vira a maior parte do montante lá na frente. É isso que faz aportes pequenos e constantes somarem muito no longo prazo.
A calculadora pega quatro coisas que só você sabe (quanto já tem, quanto vai aportar por mês, a taxa mensal e o prazo) e devolve o saldo final, quanto saiu do seu bolso e quanto foi rendimento.
O que são juros compostos, na prática
No juro simples, o rendimento incide sempre sobre o valor inicial. Você aplica R$ 1.000 a 1% ao mês e ganha R$ 10 todo mês, sempre os mesmos R$ 10.
No juro composto, o de cada mês entra no saldo e passa a render também. No segundo mês o 1% não incide mais sobre R$ 1.000, e sim sobre R$ 1.010. No terceiro, sobre R$ 1.020,10. A parcela de juro vai crescendo, mesmo sem você aportar mais nada. Quase todo investimento de renda fixa no Brasil (Tesouro, CDB, poupança) usa juro composto.
A fórmula dos juros compostos com aportes
O montante final tem duas partes que se somam.
A primeira é o seu dinheiro de hoje crescendo até o fim do prazo: valor inicial multiplicado por (1 + taxa) elevado ao número de meses. A segunda é a fila de aportes mensais, cada um rendendo a partir do mês em que entra. Em notação:
M = P·(1+i)ⁿ + PMT·((1+i)ⁿ−1)/i
Onde P é o valor inicial, PMT é o aporte mensal, i é a taxa mensal em decimal (1% vira 0,01) e n é o número de meses. Não precisa decorar: a fórmula só mostra de onde vem o resultado, com parte do seu capital antigo rendendo e parte vinda da soma dos depósitos novos, cada um com menos tempo para render que o anterior.
O passo a passo
- Informe o valor inicial (P), quanto você já tem aplicado hoje.
- Informe o aporte mensal (PMT), quanto pretende investir todo mês.
- Informe a taxa de juros mensal (i) em porcentagem.
- Informe o período (n) em meses.
- Leia o montante final, o total investido (sem juros) e quanto veio de rendimento.
O passo três é o que mais gera erro: a taxa precisa ser mensal. Se você só conhece a anual, converta antes: a mensal equivalente é (1 + taxa_anual) elevado a 1/12, menos 1. Assim, 12,7% ao ano dá cerca de 1% ao mês, e não 1,06% (dividir por 12 não funciona, porque o juro de um mês rende nos seguintes).
R$ 200 por mês a 1% ao mês: o cálculo em 12 meses
Suponha R$ 1.000 iniciais, R$ 200 por mês, taxa de 1% ao mês, durante 12 meses.
O valor inicial corrigido fica em 1.000 × 1,01¹² = R$ 1.126,83. Os aportes corrigidos somam 200 × (1,01¹² − 1) / 0,01 = R$ 2.536,50. Somando os dois, a calculadora mostra um montante de ~R$ 3.663,33.
Desse total, você colocou do bolso 1.000 + 200 × 12 = R$ 3.400,00. A diferença, cerca de R$ 263, foi rendimento. Num único ano o juro ainda é modesto perto do que você aportou. É no prazo longo, com a base crescendo a cada mês, que o juro passa a ser a maior parte do montante.
Três erros que inflam o resultado dos juros compostos
Usar a taxa anual no campo da taxa mensal. É o erro que mais distorce o resultado, sempre para cima: quem digita 12% achando que é “ao mês” projeta um montante várias vezes maior que o real.
Achar que o montante é líquido. O número que sai é bruto. Na renda fixa ainda incide imposto de renda sobre os juros (mais sobre isso abaixo).
Comparar com a poupança usando a taxa errada. A poupança rende bem menos que CDB ou Tesouro atrelados ao CDI. Comparar sem ajustar a taxa de cada um leva a conclusão furada.
Imposto, inflação e taxa real: o que sobra do montante
A calculadora mostra o montante bruto. No mundo real, imposto e inflação reduzem parte dele.
O imposto de renda na renda fixa é regressivo e incide só sobre os juros, nunca sobre o que você aportou. A alíquota cai conforme o prazo: 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias (a tabela regressiva da Receita Federal). Para estimar o líquido, aplique a alíquota da faixa sobre o campo “Juros ganhos”. Quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menos imposto.
Uma confusão comum em 2026: a isenção de IR até R$ 5.000 vale para o salário (a tabela progressiva do IRPF), não para o rendimento de investimento. CDB, Tesouro e afins continuam tributados pela tabela regressiva, mesmo que seu salário esteja isento.
A inflação reduz o poder de compra. Um montante 50% maior em reais não significa 50% mais poder de compra se os preços subiram no período. Para o juro real, pense na taxa acima da inflação, não na nominal.
E a taxa que você assume não é garantida, salvo num prefixado mantido até o vencimento. Em meados de 2026 a Selic gira em torno de 14% ao ano e o CDI anda colado nela; a poupança rende menos, presa à sua regra própria (veja o guia da reserva de emergência). Esses números mudam quando o Banco Central mexe na Selic, então use a taxa do seu investimento, não um valor de chute.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
No simples, cada mês rende sempre sobre o valor inicial. No composto, rende sobre o saldo acumulado, juros incluídos. Veja a comparação no início do guia.
A taxa que eu informo é mensal ou anual?
Mensal. Se você só tem a anual, converta com (1 + taxa_anual)^(1/12) − 1 antes de digitar; colocar a anual no campo mensal infla muito o resultado.
Os aportes mensais entram na conta?
Sim. O montante soma o valor inicial corrigido com cada aporte aplicado a partir do mês em que entra. O campo “Total investido” mostra só o que saiu do seu bolso, sem rendimento.
Por quanto tempo preciso deixar aplicado para pagar menos imposto?
Acima de 720 dias, a alíquota de IR cai para o piso de 15% sobre os juros; resgates de até 180 dias pagam 22,5%. Alguns produtos têm regras próprias, então confirme com a corretora ou o banco.